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Angola
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A Fauna

FAUNA - A fauna de Angola é muito rica e variada. A fauna terrestre distribui-se de harmonia com a vegetação, e assim, na zona da savana e da estepe, abundam os herbívoros, com o hipopótamo (Hippotamus amphibius) e a girafa (Camelopardalis girafa), animais exclusivos da África tropical e austral, e que não encontram equivalente em nenhuma outra fauna.
Fauna de Angola
O elefante africano (Elephans africanus), animal corpulento mas de dentes relativamente pequenos, conhecido em quase todos os dialectos indígenas por Ongamba ou N´jamba; o rinoceronte, conhecido por Chucurro, de que existem duas espécies: o rinoceronte branco (Rhinoceros símus), bastante raro, e o rinoceronte preto (R. bicornis), com dois cornos que chegam a tingir 70 cm; a zebra (Equus zebra), impossível de domesticar; numerosos ruminantes, como o boi doméstico, muito perseguido pela mosca tsé-tsé cuja picada é mortal; o carneio, a cabra, o almiscareiro (Hyaemoschus aquaticus), único ruminante em que cada pata possue quatro dedos completos com os metacarpianos completamente desenvolvidos e separados, numerosos representantes da família dos antílopes, como a gazela (Cervicapra bahor), a palanca (Hippotragus equinus), o Quichôbo ou Buzi, mergulhador tão potente como o hipopótamo, que habita no rio Cuchibi e Alto-Cuando, não se encontrando no Baixo-Cuando nem no Zambeze, pela presença aí de numerosos crocodilos; e outros, de variadas espécies, como Nanotragus, Calotragus, Addax e muitas outras.

Os carnívoros abundam nas zonas habitadas pelo herbívoros, porque estes são para eles a sua quase exclusiva alimentação. Existem em grande número o leão (Felis leo), o leopardo (Leopardus jubatus), a hiena (Hyaena), a raposa, o chacal e muitos outros.

Na zona das florestas são muito abundantes o chimpanzé (Troglodytcs) e os macacos, especialmente dos géneros Crcopitecus e Cynocephalus.

Dos insectívoros, roedores e desdentados existem numerosas espécies em toda a província, assim como de outros mamíferos, cuja referência se torna impossível pelo seu elevado número.

As aves são muito abundantes, algumas de plumagens com valor industrial, de cores vivas e variadas, e que se encontram distribuídas de harmonia com a vegetação, pelo que se consideram três zonas distintas: 
  • a do litoral, fraca em vegetação, alberga cerca de 200 espécies diferentes;
  • a zona média, montanhosa, coberta de magníficas florestas, possui mais de 250 espécies; 
  • na zona planáltica, onde a vegetação é muito rica e variada, o número das espécies observadas é superior a 400.
Dada a impossibilidade de mencionar todas as espécies conhecidas em Angola, citar-se-ão algumas das mais importantes:
  • Na família dos falconídeos: Aquila rapax, frequente na Huíla e Humbe, conhecida pela populações locais por Lucoi;Falco biarmicus, que se encontra ao sul de Moçâmedes, onde é conhecido por Kuata-andimba, e Milvus aegyptius, abundante em Quibal, Quilengues, Caconda, Ambaca e Humbe, onde a população lhe chamam Kikuambe.
  • Psittacula roseicollis, espécie da família dos psitacídeos, muito frequente de Novo Redondo (Sumbe) a Moçâmedes, encontrando-se também em Capangombe, Humbe e Catumbela, sendo conhecido por Xiquengue
  • ;
  • Dendrobates namaquus, espécie da família dos picídeos, abundante em todo o território de Angola, especialmente em Golungo Alto, Caconda, Humbe e Capangombe, onde as populações locais lhe chamam Bangula;
  • Merops superciliosos, da família dos meropídeos, frequente no sul do país, principalmente no interior, de Capangombe ao Cunene. As populações da região de Benguela dão-lhe o nome de Lengué;
  • Halcyon chelicutensis, da família dos alcedinídeos, que se encontra com frequência nas margens dos rios Zaire e do Cuanza e em Pungo-Andongo, Ambaca, Quilengues e Capangombe onde é conhecida por Sumbo;
  • Tockus erythrohynchus, espécie da família dos bucerotídeos, frequente em Cabinda, Benguela, Capangombe, Huíla, Kiúlo e Humbe. As populações locais de Capangombe e Humbe chamam-lhe Sunguiandondo e as de Kiúlo, Kiçumbiandondo;
  • Irrisor erythrorhynchus, da família dos upupídeos, frequente em todo o território de Angola, especialmente no sul. Os naturais de Massangano chamam-lhe Quiquengo e os de Humbe, Kassio;
  • Cuculus canorus, espécie europeia da família dos cuculídeos que nas suas migrações atinge os distritos meridionais de Angola. Em Bibala é conhecida por Kinkanga;
  • Nectarina guturalis, da família dos nectarinídeos, que se encontra largamente espalhada por todo o país, sendo conhecida na região de Capangombe por Mariapindo e na região de Humbe por Kanzole;
  • Hirundo angolensis, da família dos hirundinídeos, muito frequente em Pungo-Andongo, Ambaca e Huíla. Nunca foi observada para sul do Cunene. O seu nome indígena é Piapia;
  • Corvus scapulatus, da família dos corvídeos, muito frequente em todo o território, tem vários nomes, conforme as regiões: em Benguela, Kiquela; em Ambaca e Rio Coroca, Kilambalambe, e em Humbe, Equala;
  • Curtur senegalensis, espécie da família dos colombídeos, frequente em Benguela, Caconda e Humbe, onde as  populações locais lhe dão, respectivamente, os nomes: Nendi, Culundrucuto e Calungumbo;
  • Cíconia abdimii, espécie da família das ciconídeas, que, principalmente durante a estação das chuvas, é muito abundante ao sul do Cuanza, onde é conhecida por Humbi-humbi;
  • Plectopterus gambensis, espécie da família dos anatídeos, muito abundante ao sul do Cuanza, em Benguela, Huíla e Hume. É conhecido pelas gentes locais por Janda; os portugueses chamavam-lhe pato-ferrão.
Dentre os répteis, são numerosos os crocodilos, que povoam grande número dos rios de Angola. Existem poucas serpentes venenosas, mas são numerosas as víboras, principalmente das espécies bilis e naja-haje. Os batráquios são abundantes, sendo conhecidos pelas populações de Manjunda.

Os animais inferiores são inumeráveis, alguns muito perigosos, quer pelas doenças que directamente podem determinar, quer por aquelas de que possam ser transmissores. São numerosos os treponemas, como o T. duttoni, agente da febre recorrente transmitida por carraças (Ornithodorus  inoubata, O. savignyi, e outras), o Treponema pallidum, causador da sífilis; numerosas amibas, que determinam graves perturbações intestinais; os tripanosomas gambiense e rodesiense, causadores da doença do sono, e muitos outros que provocam graves doenças aos animais, principalmente da espécie bovina; os agentes causadores do paludismo (Pasmodium vivax, P.falsiparum e P. malariae) e muitos outros protozoários.

Dentre os artrópodes terrestres os mais importantes são os insectos, merecendo especial referência as glussinas ou moscas tsé-tsé, G. palpalis e G. morsitans, que transmitem ao homem os tripanosomas causadores da doença do sono, e os gafanhotos, que durante a época das secas produzem grandes devastações; são ainda muito numerosas as térmitas (térmites, a salalé), cujos ninhos chegam a atingir 4 metros de altura e mais, as borboletas, de cores e formas muito variadas, e muitos outros. Os miriápodes e os aracnídeos têm também numerosos representantes, havendo espécies, principalmente de aracnídeos, que são extremamente venenosas.

A fauna marítima é das mais ricas de toda a costa africana.
São numerosos os cetáceos, que em fins de maio começam a aparecer acerca de 20 a 30 milhas da costa, caminhando para norte, e que fazem a retirada para o sul em Setembro, acompanhados de baleotes de 3 a 4 metros.
As principais espécies já observadas ao longo da costa são: Baleia preta (Megaptera longimana), a mais vulgar, com 15 a 18 metros de comprimento; baleia azul (Balaenoptera sibaldi), com 20 a 25 metros, Rithwal (Balaenoptera guai), de 18 metros; baleia fina ou carapau azul (Balaenoptera  antiquorum), de 10 a 15 metros, baleia branca (Balaenoptera rostrata).
Dentre os cetáceos, encontram-se ainda a toninha (Delphinus) e o cachalote ou aparmaceti (Catodon macrocephalus), de 10 a 15 metros.

Os pinípedes são raríssimos; aparecem só na Costa dos Tigres e durante a época do cacimbo, sendi a única espécie observada a Aretocephalus antarticus.

Os quelónios são frequentes, sendo a espécie de tartarugas mais vulgar na costa, a Chelonia imbricata.

Os crustáceos mais vulgares na costa de Angola são a lagosta (Panulirus reginus), o camarão (Poeneus caramota) e o carangueijo-da-terra (Cordisoma armatum), não comestível.

Encontram-se também numerosos moluscos, como o polvo (Octopus vulgaris), o choco (Sepia officinalis), a lula (Sepia elegans), a amêijoa (Dosinia orbigny), a lapa (Patella safiana), e numerosos búzios não comestíveis merecendo especial atenção o Conus papilionaceus, vulgarmente conhecido por mandé, muito raro. Era de tal forma apreciado pelas gentes do interior, que lhe davam tão grande valor a ponto de  que eram capazes de trocarem um búzio por um boi

Os peixes constituem a principal riqueza da fauna marítima de Angola.
Entre os esqualos, as espécies que mais frequentemente se observam no litoral são: o tubarão de S. Tomé (Carcharodon rondeleti), de  a 3,5 m; o tubarão da praia (Lamna glauca), de 2 a 2,5m., e o tubarão toupeiro ou marracho (Prionodon sp?), com 1,5 a 2m, que, apesar de serem muito vorazes, não atacam o homem, talvez porque encontrarem abundância de alimentação ou por as suas dimensões, junto à costa, não excederem 3,5 m.
Existem ainda outros esqualos com a configuração dos tubarões, embora um pouco diferentes, como o albafar (Odontaspia americanus), com as dimensões do tubarão de S. Tomé mas mais corpulento; o anequim (Oxyrhina gomphondom), com 2 a 3 m; o peixe rato ou raposo (Alopias vulpes), com 2 a 2,5 m; o corunda ou peixe martelo (Zygoena malus), com 1,5 a 2 m; o peixe prego (Echinorhinuns spinosus), com 2 a 2,5 m; o peixe gata (Scillium catulus), com 1 m; o galhudo (Acanthias vulgaris), com 0,80 m; o cação ou barroso (Centrophorus granulosus), com 1 m, e a caneja ou corre (Mustollus vulgaris), com 1 a 1,5 m.

A fazer a transição entre os esqualos e os rajídeos: Peixe anjo (Squatina angelus), com 1,5 m, viola (Rhinobatus thowin), com 1 a 1,5 m, e o violão (Rhinobatus columnae), com 2,5 a 3 m.

Várias espécies de raias, como: raia manteiga (Trigon postinaca), raia branca (Raja miraletus), raia, ratão (Miliobatis aquila), raia borboleta (Pteroplatea altavera), e tremelga (Torpedo narce).

Existem duas espécies de atum, designadas pelos pescadores por alabacora (Thynus alalonga) e patudo (Thynus thynus). Semelhante ao atum, mas muito mais pequenos: merma ou judeu (Thynus tunina), arrajão (Thynus pelamis), cavala (Scomber colias) e pungo (Sciaena aquila).

Numerosos outros peixes, como: Corvina (Otholitus nebulosus), calafate (Umbrina cirrosa), cherne (Epinephelus aeneus), garoupa (Ep. garensis), moringa (Serranus cabrila), serrano (S. scriba), mero (S. gigas), pargo bico (Pagrus Ehrebergi), pargo mulato (P.nuriga), cachucho (Dentex macrophtalmus), choupa (Cantharus lineatus), boga (Box vulgaris), anchova (Temnedon saltator), charro amarelo (Caraux ronchus), charro preto (Caraux crumenophtalmus), charro largo (C. carangus), tainha amarela (Mugil auratus), tainha branca (M. capito), sardinha, savelha (Clupea sagax), biqueirão (Engraulis encrasicholus), pescada (Merlucius capensis), peixe espada ou lírio (Trachiurus lepturus), dourada (Coryphaena hipurus), peixe galo (Zeus faber), cabra ou ruivo (Trigla hirundo), linguado (Synaptura punctatissima), carta (Hemirhombus guinensis), charroco (Batrachus didactylus), salmonete (Upenus prayensis), imperador (Antias sacer), congro (Conger vulgaris), e outros.

Riqueza venatória - A época mais propícia para a caça em Angola é a estação seca ou "cacimbo", principalmente durante os meses de Julho a Setembro. 
Embora a estação seca principie em Maio, nos meses de Maio e Junho não é fácil caçar devido à grande abundância de água, que não só provoca a dispersão dos animais, que em qualquer parte podem dessendentar-se, como mantém muito alto o capim, que para eles constitui óptimo esconderijo.

Porém, quando em Julho seca a maior parte dos cursos de água, as várias espécies procuram os lugares onde esta permanece todo o ano. Nessas paragens então é possível encontrar-se: elefantes, rinocerontes, antílopes, girafas, zebras, avestruzes, hipopótamos, leões, javalis, búfalos, e muitos outros animais.
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Este artigo foi adaptado da Enciclopedia Luso-Brasileira, Vol II, Ano ?

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