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Angola
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A Flora

FLORA - Angola constitui apenas uma fracção duma extensa região natural a que se pode dar, com certa propriedade, o nome de região sudaneza, se atendermos à uniformidade da sua vegetação.
Flora de Angola
Ao norte e no centro interiores domina o clima tropical, com as suas características próprias; no litoral, este clima modifica-se e torna-se mais suave por receber a influência do oceano; nos planaltos é a altitude que intervém para adoçar o clima; ao sul passa-se por transições insensíveis para uma região em que as precipitações atmosféricas diminuem até se tornarem quase nulas: é o deserto. A vegetação acompanha as modalidades do clima e da natureza do solo. Esta vegetação pode ser repartida atendendo à influência de todos os factores ou apenas dum grupo ou mesmo dum só factor climático ou orográfico.

Relativamente à altitude, pode considerar-se uma região costeira até 300-400 m, a região das florestas de 300 a 750 m, e região mais elevada, acima de 750 metros.
- A primeira compreende o Ambriz, Luanda, Icolo, Bengo, Barras do Bengo e do Dande, Libongo, Benguela e Moçâmedes.
- A segunda inclui as regiões do Cazengo, Golungo Alto, Ambaca, Ienza do Golungo e Bumbo.
- A última, a região do Pundo Andongo e da Huíla.

A diferença mais notável entre a flora do norte e centro e a flora do sul, a partir de Benguela e Moçâmedes, consiste num misto de várias floras com predominância da flora da Senegâmbia e do Cabo da Boa Esperança.
À distância de 2 quilómetros da costa as formas características do cabo desaparecem e a vegetação torna-se cada vez mais rica em espécies tropicais. A flora vai empobrecendo para o sul, consistindo quase exclusivamente em euforbiáceas.
Welwitschia mirabilis O planalto, nas proximidades do Cabo Negro, é um deserto típico que se prolonga para  sudoeste (de Moçâmedes em direcçãoà Namibia). É neste deserto que se encontra a célebre Welwitschia mirabilis, da família das gnetáceas, e uma das plantas que há mais de 100 anos mais excitou a curiosidade dos sábios.

No Bumbo e nas faldas da Serra da Chela a vegetação atinge a exuberância tropical com abundância de melostomáceas, apocináceas e combretáceas. As leguminosas formam uma rica parte da flora arbórea.
Nas margens dos rios abundam as gramíneas e compostas com prados e pastagens tão ricas como extensas. Na Huíla a flora é em tudo semelhante à da Abissínia, à parte as modalidades locais.
Pungo Andongo constitue, senão a mais interessante zona florística da África tropical, pelo menos uma das mais notáveis dos trópicos. O botânico Welwitsch, que explorou Angola de Setembro de 1853 até Dezembro de 1861, chamava-lhe o “Eldorado” tal a abundância de espécies estranhas e a riqueza de vegetação que ali se encontra. As florestas do Quisonda até ao Condo, do Luxilo e do Cambambe, as margens e as cataratas do rio Cuanza, constituem uma maravilha de vegetação tropical.

Dada a enorme extensão de Angola e a sua posição geográfica, não é para admirar que ali se encontrem, quer isoladas quer associadas, as mais diversas espécies vegetais em arboretos naturais higrofíticos nas regiões mais húmidas, xerofíticos na transição para o deserto, e mesmo mesofíticos no planalto interior, onde o clima muito se aproxima do clima da Europa ocidental. É necessário distinguir a vegetação da flora. Esta última, numa apreciação ligeira, deve conter dezenas de milhar de espécies (talvez mais de 100.000). Conhecidas são hoje mais de 20.000 espécies de flora fanerogâmica. Mercê de novas investigações e introduções este número poderá aumentar anualmente, pois à flora espontânea é necessário acrescentar a flora cultivada, não só das plantas indígenas, como também das plantas alimentares exóticas.

O mais notável trabalho publicado sobre a flora de Angola deve-se a W. Philip Hiern; Catálogo das Plantas Africanas coligido pelo Dr. Fr. Welwitsch em 1851-63, editado em Londres (1896). Segue-se a Flora da África tropical, de Oliver, (Cf. também Bol. Ag. Ger. Colónias, 1926, onde o Prof. J. de Almeida faz um estudo crítico sobre Welwitsch); As plantas úteis da África Portuguesa, pelo Conde de Ficalho, alguns estudos do Sr. J. Gosswei ler, etc. Também o Instituto Botânico de Coimbra, sob a direcção do Prof. Carriço, elaborou, em colaboração com o Jardim Botânico de Kew, um Conspectus Florae Angolensis; com os elementos fornecidos por Welwitsch (muitos exemplares existem no Museu de Botânica da Faculdade de Ciências de Lisboa), as colheitas directas e as remessas do botânico I. Gossweiler.

Na impossibilidade de darmos a lista completa das espécies descobertas em Angola, em virtude do seu elevado número, mencionaremos algumas mais importantes, tanto da flora espontânea, como da flora cultivada: anona (Várias espécies), cabela (Xylopia aethiopica, A. Rich.), n´pepe (Monodora myristica, Dun.), calumba (Jateorlieza palmata, Mieis.), abutua (Tiliacora chrysobotaya, Welw.), mucoco (Cissampselos perewa, Lin.), dormideira (Papaver somniferum, Lin.), muriangombe (Moerua angolensis, DC.), quisaiu ou diteque (Bixa orellana, Lin.), buáse ou boasi (Secusidaca longipedunculata, Fres.), bembe (Postulaca oleracea, Lin.), cedro (Tamarix articulata, Vahl.), cabiu ou mutune (Psorospermum febrifugum, Spach.), mungunda (Symphonia globulifera, Lin. fil.), quingombo (Hibiscus esculentus, Lin.), muginha ou algodoeiro (Gossypium sp. var.), n´bondo ou imbondeiro (Adansonia digitata, Lin.), mufuma ou mafumeira (Eriodondron anfractuosum, DC.), quibombo camenha (Sterculea Tragacantha, Lind].), coleira (Cola acuminata, R. Br.), cacaueiro (Theobroma cacao, Lin.), quisanana (Corchorus tridens, Lin.), linho (Linum untalissimum, Lin.), laranjeira e limoeiros (Citrus sps.), mubafo (Canarium edule, Hook.), mafureira (Trichilia emetica, Vahl.), maceira brava (Zizyphus jujuba, Lam.), quixileua (Vitis schimperiana, Hochsh.), mangueira (Mangifera indica, Oliv), cajueiro (Anacardium occidentale, Lin.), anileiro (Indigofera sps.), cafato (Tephrosia voguelii, Hook.) ginguba, amendoim (Arachis hipogaea, Lin.); grão de bico, ervilhas, chicharos, feijão e outros legumes; mulumba (Pterocarpus melliferus, Welw.), tacula (P. tinctorius, Welw.), tamarindeiro (Tamarindus indica, Lin.), mopane (Copaifera mopane, Kirk.), sucupira (Pentaclethra macrophylla, Benth.), espinheiro (Acicia allada, Delile), mussongue (A. sieberiana, DC.), nocha (Parinarium mobola, Oliv.), mangue da praia (Rhizophora mangle, Lin.), mamoeiro (Carica papaya, Lin.), binda (Lagenaria vulgaris, Ser.), abóbora carneira, melão, melancia, abóboras diversas; mangue branco (Corynanthe paniculata, Welw.), quineira (Cinchona sps.), cafezeiro ou muriarnbambe (Coffea arabica, Lin. e C. liberica, Bull.), pan quicongo. (Tarconanthus camphoratus, Lin.), licomgue ou macongue (Landolphia owariensi, P. de Beauv.), bombardeira (Calotropis procera, R. Br.), batata doce (Ipomaea batatas, Lam.) e batata redonda; n´dungu (Capsicum sps), pimentão; tabaco (Nitotiana tabacum, Lin), gergelim (Sesamum indicum, DC.), mutuge (Myrystica angolensis, Welw.), caneleira (Cinnamomum zeilanicum, Breyn.), purgueira ou mupulaca (Jatropha curcas, Lin.), mandioca (Manihot utilissima, Polal.), bafureira ou rícino (Ricinus comunis, Müll.), riamba ou cânhamo (Cannabis sativa, Lin.), mucamba-camba (Chlorophora excelsa, Benth.), amoreira (Morusnigra, Lin.), tumbo (Welwitschia mirabilis, Hook.).

Muitas essências arbóreas fornecem madeiras preciosas para diversas aplicações. O quibembemuxe (Entandrophragma, Pierri;) produz a madeira mais apreciada, o mogno de Angola. As palmeiras no Cazengo, de entre elas a Elacis Guinemis, que dá o óleo de palma e o coconote - principalmente abundante na zona costeira da Guiné - cultiva-se em Angola no lado dos coqueiros e de árvores que fornecem a borracha. Nas hortas cultivam-se hoje muitas frutas e hortaliças importadas da Europa. O milho é abundante e tem-se enraizado a cultura do trigo com êxitos variáveis. Desnecessário se torna mencionar a bananeira e o ananás e outras frutas bens conhecidas e que abundam em Angola, e as plantas medicinais e industriais cuja enumeração seria quase interminável.

Zonas fitogeográficas - Como já foi referido, Angola pode considerar-se dividida em 4 zonas: a zona baixa ou do litoral, a zona rica ou das florestas, a zona alta ou das gramineas, e a zona interior ou da borracha.

A primeira zona, isto é, a do litoral, abrange seis regiões: a do Congo litoral, que compreende Santo António, Nóqui e parte do Ambrizete; a de Luanda litoral, que compreende Ambriz, Dande e a maior parte de Icolo e Bengo; a de Benguela litoral, que abrange Egipto e Benguela, e a de S. Nicolau, que diz respeito à região de Moçâmedes e parte de Porto Alexandre.
A segunda zona é mais extensa, pois ficam dentro dela as doze regiões seguintes: a de Chiloango, que compreende Cacongo; a de Cabinda, que abrange a da respectiva circunscrição; a do M´Brige, que compreende S. Salvador, Bembe e a quarta parte da circunscrição civil do Ambrizete; a de Loge Dande, que abrange o Eucoge e os Dembos; a do Alto Lucala, que abrange Ambaca e parte do Duque de Bragança; a do Baixo Lucala, que compreende Golungo Alto, Cazengue e Cambangue; a de Longa, que abrange uma pequena parte da Quissama e o Libolo; a do Cuvo, que abrange o Amboim e Seles, além do Novo Redondo, que também fica incluído nesta zona; a do Balombo Queve, que compreende partes importantes do Bailundo e do Huambo; a de Catumbela Coporolo, que abrange a Ganda, Quilengues e uma parte de Caconda e a da Serra da Chela, que compreende a Bibala e parte dos Gambos além de pequenos territórios contíguos da Chibia ao norte, e Porto Alexandre ao sul.
A terceira zona abrange 10 regiões: a do Zadi lnquissi, que inclui Maquela do Zombo e a maior parte da Damba; a do Cuilo, que inclui o Cuango, Pombo e Sosso; a do Cambo, que compreende a maior parte do Duque de Bragança e Holo e Jinga; a de Malanje, que inclui a circunscrição deste nome; a do Lui, que abrange Bondo e Bangala e Baixo Songo; a do Cuanza-Médio, que abrange o Gango e Alto Songo; a de Alto Cuanza, que abrange grande parte do Bailundo, do Bié e a circunscrição do Andulo; a do Alto Cunene, que abrange grande parte do Huambo, Caconda, Ganguelas e Alto Cunene; a do Alto Cubango, que abrange o Alto Cuanza, e grande parte das Ganguelas, além do norte do Cunene; a do Caculovar, que abrange a Humpata, o Lubango, a Chibia e o norte dos Gambos, e a do Médio Cunene, que abrange as capitanias do Alto Cunene (menos a faixa norte), o Evale, o Humbe, o Cuanhama e o Cuamato.
A quarta zona abrange nove regiões: a do Alto Cuango, que corresponde a Camaxilo e Minungo; a do Alto Cassai, que corresponde às capitanias do Cuilo-Chicapa e Cassai-Norte e Sul; a do Luena, que corresponde à capitania do Moxico; a do Alto Zambeze, correspondente à capitania deste nome; a do Lungue-Bungo, nas mesmas condições; a do Alto Cuango, correspondente às capitanias do Alto Cuilo e dos Luchazes; a do Baixo Cubango, que corresponde à capitania, e a do Cuito, formada pela do Cuito Canavale e a do Baixo Cuando, da capitania deste nome.
Na zona baixa, ou do litoral, cujo relevo as caracteriza em geral por pequenas altitudes destinadas a separar os vales inferiores dos grandes rios, localizam-se as grandes culturas industriais e que exigem a intervenção dos meios mecânicos. Pode-se dizer que é neste zona de Angola que a mão-de-obra se vai reduzindo em consequência da agricultura mecânica das grandes empresas. É aqui, principalmente nos vales e encostas servidas de água, que se dão bem a cana sacarina, o algodão, o arroz, o tabaco, o amendoim, além das palmeiras de dem-dem e, dum modo geral, todas as culturas intercalares dos países tropicais que se podem introduzir nos afolhamentos contínuos. Na terras mais altas, desprovidas de irrigação, realizam-se culturas de sequeiro, principalmente de milho, mandioca, algodão e também de piteiras. Embora sejam estas de culturas predominantes, podem-se todavia obter nesta zona outros produtos agrícolas, como o cacau e o café sendo também uma região muito propícia para a horticultura e a pomicultura.
A zona rica, ou das florestas, compreende numerosas espécies florestais. Quanto à zona alta, ou das gramíneas, ela tem como fronteira leste aproximadamente as fronteiras internas dos distritos da Lunda, do Moxico e Cubango; como fronteira do lado oeste, a linha que delimita a zona das florestas. A zona interior ou da borracha fica situada entre os limites da zona alta e os da fronteira leste do país.
Na zona florestada, encontram-se também cultura de tipo misto como as de cacau e café, mas em pequenas altitudes.
Na zona alta, ou das gramíneas, desenvolveram-se consideravelmente as culturas indígenas, mas é bastante importante o estabelecimento de grandes empresas de exploração completamente mecânica. É aqui que aparecem os produtos naturais sob a forma de cera  e borracha, como zona vizinha da zona propriamente da borracha. Nesta última, além das plantas borrachíferas, encontram-se culturas indígenas, tais como o arroz, a ginguba, a mandioca, a batata doce, a massambala, o massango, etc.
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Este artigo foi adaptado da Enciclopedia Luso-Brasileira, Vol II, Ano ?

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