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Arte Angolana
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3 - O Poste Anímico-Antropomorfo

Seguidamente ao tronco ou poste verde ou vivo, que, em condições propiciatórias resultará numa árvores de culto, e acentuando a sua significação antropomorfa, prefigurativa, encontramos o tronco ou poste cultural seco, esculpido, já figurativo, marcadamente cefálico, onde o apontamento dos olhos e boca, no vulto fruste duma cabeça, evoca a imagem do homem, a presença mais sensível do antepassado venerável divinizado (fig. 3).
Máscaras de Angola
Este tipo de poste animista é comum às mesmas tribos acima citadas e a outras que, para o objectivo destas linhas, não tem interesse averiguar.

A sua feição morfológica varia com os estilos locais e o gosto dos entalhadores, mas o fundo significativo é o mesmo. O seu desenvolvimento para a figura completa é, algumas vezes, procurado nas formas especiais do próprio tronco, como se pode observar nos postes de padroeiros da caça, iguais ou idênticos ao que reproduzimos do original cravado no solo duma povoação de quimbundos, nas margens do rio Cuango (fig. 4).

Habitando os génios da caça, de preferência, as grandes florestas, a sua representação num tronco de forma significativa, colaborante, evoca também o clima espiritual, o meio religioso, formando atmosfera propícia em torno do madeiro de formas tendenciais, obra da Natureza, a qual, para o indígena, é sinónimo eminente de Deus. Este sentido já denunciado nos exemplos anteriores, deixa admitir, por si mesmo, uma genealogia de cultura florestal, à escultura antropomorfa nativa.

No esquema "A" reproduzem-se troncos cujas formas naturais foram aproveitadas e completadas com alguns golpes e cortes.
Fig.3 - Poste anímico-antropomorfo
Fig.3 - Poste anímico-antropomorfo
Fig. 5 - Esquema de Troncos de formas naturais sugestivas ligeiramente acentuadas, usados como imagens culturais ou anímicas
Esquema A -Troncos de formas naturais sugestivas ligeiramente acentuadas, usados como imagens culturais ou anímicas
Fig.4 - Poste anímico, dos quimbundos, das margens do rio Cuango
Fig.4 - Poste anímico, dos quimbundos, das margens do rio Cuango
Depois, os elementos e formas naturais significativas ou sugestivas, onde os braços da árvore são braços humanos, o galho bifurcado uma imagem bicórnea, os nós rugosos a máscara dum génio, forma ajeitados pela enxó do entalhador, testemunho não só da preocupação do nativo em responder à Natureza que a compreendeu, mas também duma transição contemplativa das expressões naturais, para uma cultura de escultores, que hão de prolongar aquela tendência pelos seus processos artísticos, em postes anímicos, que foram evoluindo desde o cabeçote liso ao topo entalhado, em modos de cabeça humana.

Seguidamente, vai-se desenvolvendo, desde atitudes quase fetais até figuras erguidas, completas, ora masculinas ora femininas, geralmente rústicas, sem embargo de, em muitos casos, revelarem já um sentido plástico e de equilíbrio, a par de notável economia de linhas.
Aí se assinalam também as curiosas deformações estilísticas, que imprimem particular característica à escultura africana.

Dessas imagens de culto, onde se expressam já os gestos medidos e o amor dos ângulos, que ainda hoje prendem os movimentos e disciplinam a atitude das estatuetas, dão ideia inúmeros postes culturais ou votivos em vastas extensões de Angola, particularmente no Nordeste, Leste e Centro.

Variam de local para local, mas sempre em torno do mesmo tema. Reproduzem-se dois esquemas tomados do natural na zona leste da Lunda (figs. 5 e 6).

É também de notar que as esculturas pintadas, comuns a diversas escolas de arte, até nesse aspecto evocam os postes religiosos, os quais são profusamente pintados, na cerimónia da sua implantação e segundo esquemas geométricos, também seguidos na pintura de esculturas e máscaras.
Fig. 5 e 6 - Poste anímico, da zona leste da Lunda
Fig. 5 e 6 - Poste anímico, da zona leste da Lunda

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