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Arte Angolana
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I - CICLOS OU ÁREAS ANGOLANAS DE CULTURA DA MÁSCARA

1 - Padrões mais típicos

As actuais máscaras angolanas oferecem no panorama da sua distribuição e relação de estágios evolutivos entre si, um triplo ponto de vista a sistematizar, respectivamente, como segue:

Máscaras de Angola

a) Zonas típicas mescladas e interpenetradas por elementos atípicos ao seu padrão.
b) Modelos acomodados e associados. Alterações.
c) Estratos ou níveis da escala evolutiva, reciprocamente influenciados.

A interpenetração explica-se pela natural mobilidade das culturas e pelas suas correntes, as quais correspondem, em muitos casos, às migrações de povos, agentes veiculares dessa distribuição.

As acomodações, associações e alterações provêm do contacto, consórcio e cópia de modelos, praticada reciprocamente pelos diversos povos.
Fig.1 - Lunda e Alto-Zambeze
Fig.1 - Lunda e Alto-Zambeze
Fig.2 - Sul de Angola (Menongue)
Fig.2 - Sul de Angola (Menongue)

A sobreposição de estratos determina-se pela existência de elementos distintos entre si e sucessivamente mais evoluídos, na escala vertical da sua relação.

Neste termos, a mobilidade cultural da máscara manifesta-se em todas as dimensões.

Definindo e limitando, o que é sempre difícil, mas indispensável às sistematizações etnográficas de Angola, fixem-se em três, nesta síntese, os estratos mais evidentes, a saber:

a) Estrato inferior duma antiga cultura, representada pelas máscaras de cordoalha e entrançadas ou de entrecasca ou líber. A sua área de expansão principal determina-se no Centro e Sul de Angola, ramificando-se.
b) Estrato intermédio, ou média cultura, constituído por máscaras de entrecascas preparadas, com faces de resina moldada, assentes sobre armações de varas. Tem como domínio principal o Centro e o Nordeste de Angola.
c) Estrato superior ou da nova cultura, expresso por máscaras de madeira cavada e esculpida. Tem como zonas mais importantes o Centro, o Nordeste e o Norte de Angola.

Dum ponto de vista de execução e particularidade artística, nota-se que as máscaras do estrato inferior, ou mais antigas, são obra de manufactura relativamente simples (Fig. 1 e 2).

Fig.3 - Lunda e Moxico
Fig.3 - Lunda e Moxico

No estrato seguinte ou intermédio há a notar a face de resina moldada directamente, a qual se apresenta como um passo a caminho da máscara de madeira esculpida do estrato superior, e ainda o facto das abas e peças acessórias da máscara de resina serem totalmente cobertas por pinturas decorativas de tipo geométrico, obtidas pela aplicação de argilas coloridas e variadas (Fig. 3 e 4).
Fig.4 - Alto-Zambeze
Fig.4 - Alto-Zambeze
O estrato superior ou mais recente, da nova etapa da máscara, integra-se na cultura que dos escultores de madeira, participando dos estilos das escolas de escultura africana e atingindo muitas vezes realizações de elevado mérito (Fig. 5 e 6).
Fig.5 - Alto-Zambeze
Fig.5 - Alto-Zambeze
Fig.6 - Cuango (Maiacas)
Fig.6 - Cuango (Maiacas)

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