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III - CLASSIFICAÇÃO DAS MÁSCARAS QUANTO A CICLOS E PADRÕES SUPERIORES

2 - Classificação das Máscaras Angolanas no Conjunto Africano da Máscara

Máscaras de Angola
Para efeitos de classificação das máscaras angolanas no conjunto das máscaras africanas, recorremos, evidentemente, aos modelos superiores da nova cultura da máscara, ou seja, à máscara de madeira esculpida, monobloco, de feição artística mais adiantada.

Desses modelos determinaremos, entretanto, as fases evolutivas a caminho do modelo superior, e por esse motivo eleito para a concorrência classificatória no quadro africano das máscaras.

Essas fases são as seguintes:
  • Máscara-face, seccionada segundo um plano aproximadamente vertical, partido da região inframentoniana, e por outro, horizontal, a meio da fronte (Fig. 7).
  • Máscara-face, seccionada segundo um plano aproximadamente vertical, desde o vertex à região inframentoniana (Fig. 8).
Fig.7 - Lunda
Fig.7 - Lunda

Fig.8 - Lunda

Fig.8 - Lunda
  • Máscara-face, seccionada segundo um plano aproximadamente vertical, partido da região inframentoniana, e por outro, horizontal, a meio da fronte (Fig. 7).
  • Máscara-face, seccionada segundo um plano aproximadamente vertical, desde o vertex à região inframentoniana (Fig. 8).
  • Máscara-cefálixa, seccionada segundo uma diagonal desde a parte posterior da nuca à região inframentoniana (Fig. 9).
  • Máscara sub-cérvico-cefálica, seccionada segundo uma diagonal desde as primeiras vértebras dorsais à região clavicular (Fig. 10).
Fig.9 - Alto-Zambeze
Fig.9 - Alto-Zambeze
Fig.10 - Rio Cuango (Maiacas)
Fig.10 - Rio Cuango (Maiacas)

Estes dois últimos padrões, produzidos pelas escolas de máscasras dos Luenas e dos Maiacas, respectivamente, cavadas e esculpidas em madeira (monobloco, são os mais evoluídos do ponto morfológico e artístico, aproximando-se da forma plena da escultura da máscara (máscara-cabeça). Estes padrões tomam, na escala das escolas da máscara africana, a mesma posição de algumas congéneres dos centros equatoriais e do Oeste Africano - a Grande Civilização da Máscara como é designado.

Acima destes padrões, encontramos as máscaras de bronze de Benin, as quais, e em sequência das nomenclaturas aqui adoptadas, podemos classificar de cérvico-cefálicas. Há a notar que estas máscaras de bronze não servem para mascarar, São modelos altamente especializados, atribuídos de dignidade cultural em si próprias. Não devem, no entanto, deixar de ser consideradas como máscaras.

Nestes termos, os padrões superiores de máscaras de madeira angolanas ocupam um lugar importante no conjunto das máscaras da África Negra e das suas escolas.

Recapitulando, pode estabelecer-se o seguinte resumo:
  • Os ciclos ou áreas angolanas da cultura da máscara repartem-se por três regiões mais típicas, com misturas de modelos resultados de interpenetração e de sobreposições no tempo(1) . Apresentam variedades e uma vasta zona de aculturação resultada do uso do Carnaval introduzido com os portugueses, a qual predomina a o longo de toda a faixa costeira de Angola.
  • Os elementos mais primários correspondem a culturas muito antigas, e os mais recentes e evoluídos estão representados pelas máscaras de madeira esculpidas, com tendência para a forma completa da cabeça humana. As suas melhores realizações rivalizam com os modelos das grandes escolas da máscara de madeira esculpida da África Negra.
  • Finalmente, por razões de crença e de forma, atribuímos às máscaras angolanas, em conjunto, a classificação de anímico-antropomorfas.

______________________
(1) Nota cronológica: Com vista á fixação de pontos de referência, sempre necessários ao estudo das culturas angolanas, e a partir da correlação de algumas máscaras de patriarcado e matriarcado, com aqueles regimes, segundo os dado do etno-história, fixamos as cronologias aproximadas que seguem: Para as máscaras masculinas de entrecasca, com faces de resina (patriarcado) da média cultura da máscara, uma data anterior à organização do estado dos Bungos ou Tubungos na Katanga Ocidental (século XVI). Para as máscaras femininas de madeira (matriarcado) da nova cultura da máscara uma data de aparecimento posterior à organização do estado dos Lundas no Katanga Ocidental (fins do século XVI, princípios do séculos XVII). Para a aculturação do Carnaval pode prever-se, obviamente, o seu indício a partir do século XVI. Para os modelos da paleo-cultura da máscara angolana, limitamo-nos, por agora, a dizer, que são sem dúvida muito remotos.
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