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| Livros de Autor <- Voltar à secção: - Livros de Autor | | | A FAZENDA DE SÃO JANUÁRIO
Os limites desta fazenda datavam da época da ocupação bóer e nas suas estremas existiam marcos intocáveis. A superfície de vários milhares de hectares, entre o rio Nene desde a ponte Norton de Matos na Humpata, até à Serra da Huíla, deste rio até à estrada que ligava o Lubango à Humpata, respeitando o contorno da Fazenda Jamba, permitiu ou obrigou à criação de características especiais.
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De certa forma, podemos encontrar aqui alguma semelhança com o sistema Feudal. Os trabalhadores agrícolas tinham as suas famílias instaladas dentro daqueles limites, em sanzalas maiores ou menores, conforme o número de membros ou o tempo de permanência na área e tinham criação de gado e culturas próprias. Algumas destas famílias não tinham nada a ver com o povo Muíla, predominante do Distrito, e haviam-se deslocado das suas terras, Ganguelas, Cuamatos, Gambos ou Cuanhamas, onde a expansão do gado da minha família tinha currais.
Uma das famílias mais carismáticas era a do Loper, Cuanhama, que há longos anos ali se instalara e que era o homem de mais confiança do meu avô. Quando este saia para longas viagens, o Loper ficava responsável pela segurança de bens e pessoas. A sua personalidade e comportamento sempre nos mereceram muito respeito e agradava-nos o seu convívio. Grande parte dos seus filhos estudaram na escola e no liceu e, quando os fui procurar durante a agitação dos anos 70, já os mais velhos eram políticos de peso e encontravam-se em plena actividade política. O segundo livro do autor vai versar sobre este tema interessantíssimo, uma das faces ignoradas da chamada colonização.
A propensão para certos elementos do Quadro Administrativo (especialmente os novatos importados), esquecerem a abolição da escravatura, criava-nos situações merecedoras de extensos relatos. A angariação de "voluntários à força", por vezes, induzia os cipaios mais inadvertidos, a transpor na sua acção os limites de São Januário. Prontamente éramos prevenidos por trabalhadores e, depois dos "caçadores de voluntários" terem penetrado um ou mais quilómetros, viam, de repente, surgir de trás dos arbustos, dois ou três cavaleiros bem treinados, que os perseguiam em velocidade adequada, até bem para fora do que chamávamos a nossa fronteira. Já sabíamos que, pelo menos durante uma boa época, os habitantes da fazenda estavam livres destes incursionistas indesejáveis.
A MINHA FAMÍLIA MATERNA
Daniel de Campos Gavino Dias, meu avô materno e a avó Laidinha, Maria Adelaide da Silva Cabral Pessoa Gavino Dias, Ana Adelaide, minha mãe, e os irmãos António Liberato, Daniel, Maria Josefina, Augusto Frederico, Maria Lúcia e Maria da Luz.
Naturais respectivamente de Golegã e Macau, os meus avós maternos foram para Angola no 1º quartel do Século. Sobrecarregados com uma grande família, vivendo do ordenado de bancário do meu avô, levaram uma vida amarrada às preocupações provenientes dessa situação, na histórica cidade de Moçâmedes. Respeitados e queridos na sociedade, constituíram, apesar de tudo, uma família feliz. Extremamente educados, tiveram o gosto de ver os seus filhos bem lançados na vida!
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