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A SanzalAngola e o Futuro do Nosso Passado

A nossa SanzalAngola faz cinco anos!
 Imagens de Angola

Olhando para trás, começou pequena e tímida: depressa cresceu e tem hoje quase dez mil membros espalhados pelo mundo!


Foi no seu convívio que se reataram amizades há muito esquecidas; onde se mataram saudades de tempos há muito idos; onde se reencontraram amores há muito desfalecidos; onde cada jantar ou encontro não é só uma oportunidade para confraternizar e reviver os cheiros e sabores da nossa culinária, mas também de voltarmos a estar em Angola.

A SanzalAngola é o espaço onde a boa vontade de Angolanos na diáspora se encontra, onde se criam e cultivam amizades que jamais se hão de desfazer, onde se ajudam projectos sociais e humanos que doutra forma jamais teriam passado de sonhos no papel. É nos seus fios que se revelam talentos brilhantes, até há pouco escondidos, em temas que vão da poesia à prosa, do desporto à política, da culinária à história, e até da arte à filosofia; é assim a janela da criação e do génio daqueles Angolanos que não puderam durante os melhores anos de suas vidas dar a Angola o melhor que sempre quizeram dar, mas que dão hoje aos seus irmãos e ao mundo o que melhor sabem e sentem.

A SanzalAngola cresceu na linha de produtos que oferece e é hoje um fórum maduro e completo operando numa base financeira sólida; é um espaço funcional onde não só a mensagem curta, a prosa e a poesia nos tocam a todos, mas onde também imagens e músicas de outrora nos dão vida aos sentimentos. Contudo, chegar até aqui não foi fácil; a SanzalAngola passou por momentos difíceis, perdendo pelo caminho alguns dos seus membros fiéis. A concorrência de outros fórums e novas redes sociais na internet faz-se também sentir um pouco na assiduidade em que alguns de nós participa; mas quando queremos conviver Angola, a nossa Angola de verdade, é para o seu regaço que voltamos.

Contudo, estimados sanzaleiros, e apesar de todo o bem que relembrar o passado nos conforta e o desvendar da saudade nos delicia, é essencial que não deixemos as nossas memórias ultrapassar os nossos sonhos. Sim, é importante recordar, mas é mais importante sonhar! Cabe aqui relembrar que numa visão temporal, a nossa vida de Angolanos na diáspora é curta e efémera: ela começou e acabará com a nossa geração. Talvez uns dez ou quinze anos mais e este nosso convívio será apenas fraca memória, ou até mesmo falta dela.

Assim, a palavra de ordem é «Bora a participar ainda mais na nossa SanzalAngola!», para que os nossos ideais de amizade e de Angola se tornem a realidade que todos aspiramos. É essencial passarmos do virtual ao real. Já não temos muito tempo - estamos todos a ficar kotas demasiado depressa - para organizarmos iniciativas que não só nos gratifiquem pessoalmente, mas que ajudem a firmar o papel da nossa geração na História de Angola, e que contribuam de uma forma eficaz no melhorar das condições de vida dos nossos irmãos em Angola.

Deste modo, porque não juntamos os nossos esforços e um pouco da nossa riqueza material e nos organizamos na criação de programas e instituições práticas e de valor para Angola no presente e no futuro que nos vai sobreviver? Porque não juntamos os nossos espólios de livros e criamos uma Biblioteca Angolana? Porque não organizamos e publicamos uma colectânea da obra magnífica dos nossos poetas? Porque não ajudamos na publicação de obras de valor e utilidade escritas pelos nossos sanzaleiros? Porque não entramos em parceria com outras instituições e governos e facilitamos a colocação de sanzaleiros que querem ajudar como professores, executivos e outros profissionais em projectos de desenvolvimento nos campos da educação, do desenvolvimento social, da saúde, dos negócios, da arte, e de outros campos que Angola tanto carece? Porque não juntamos algumas das nossas poupanças e estabelecemos a nossa Fundação SanzalAngola que facilite a realização destas e outras iniciativas de valor?

Sanzaleiros amigos, o desafio é grande, mas está aqui lançado. Cabe a cada um de nós responder.

Helder Ponte (Xinguila)
Cranbrook, BC, Canadá - Dezembro de 2007

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