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Província de Namibe: Recursos naturais

Para quem a não conhece, parece que esta província é carente em recursos naturais. Muito pelo contrário é bastante rica. Senão vejamos.
Namibe
INFRA-ESTRUTURAS PORTUÁRIAS
Porto do Namibe
A zona de influência do porto do Namibe, cuja área de jurisdição é limitada a Norte pelo Farol da Ponte do Giraul e a Sul pela Ponte do Pau do Sul (Ponta do Noronha), é da ordem dos 400.000 km2 e a sua ampla baía tem fundos entre os 4,5 a 33 metros, na qual, apesar de alguns terem rocha, no seu ancoradoiro propriamente dito, com bons fundos de areia e lodo, pode abrigar elevado número de unidades de longo curso e de grande calado.

O porto do Namibe divide-se em dois sectores distintos e localizados em lados opostos, na baía do Namibe. Um destina-se a mercadorias gerais e passageiros (porto comercial, situado na Torre do Tombo, entre a ex-Ponta do Noronha e a ex-Fortaleza de S.Fernando) e outro específico para a movimentação de minério de ferro e produtos petrolíferos (porto mineraleiro ou ex-Salazar, situado no Saco do Giraul, vulgo Saco-mar).

O porto comercial, concluído em 1957, tem 870 metros de cais de acostagem, dividios em 3 zonas, a maior das quais com 480 metros. Dispõe de uma área coberta para armazenamento, com cerca de 7200 m2, constituída por dois amplos armazéns.
A autoridade que gere o porto é «Porto do Namibe» e dispões de 1 rebocador, 3 gruas de 5 a 15 tons nas zonas 2 e 3 e de empilhador para contentores com capacidade para 40 tons.
O cais e o recinto portuários, estão dotados das respectivas vias (bitolas 1,067) numa extensão da ordem dos 15 kms, de modo a satisfazerem todas as exigências de serviço, pois ligam à linha geral do Caminho de Ferro do Namibe que penetra, já, no interior de Angola, até 756 kms do litoral, na direcção Leste (linha geral).
É testa do Caminho de Ferro do Namibe, cuja extensão é de 880 km, sendo 756 correspondentes à Linha Geral (Namibe/Menongue) e 124 km, do Ramal da Chibia (Lubango/Chiamoe).
Porto Saco (Saco do Giraul)
O porto mineraleiro, concluído em 1967, fez parte do empreendimento de Cassinga. Possui uma ponte cais constituída por uma laje contínua de betão pré-esforçado com as dimensões de 325x18 metros, assente sobre fiadas de estacas. Segue-se uma outra zona constituída por laje de 200x12 metros, criando um posto de acostagem com fundos de 10 metros, destinado a petroleiros.
PESCAS
Esta província é banhada pelo Oceano Atlântico, a Oeste, numa extensa fronteira marítima que ronda os 480 Km, no sentido Norte-Sul.
Nestas águas encontram-se grandes cardumes de peixes pelágicos (sardinha, carapau, sarda, biqueirão, cavala, boga) de superfície e de profundidade e grande variedade de cartilagíneos (raias e tubarões). Convém lembrar que a Corrente Fria de Benguela, no sentido Sul-Norte influência em muito o equilíbrio dos pelágicos e do clima (Ver Nota)

Além do peixe existem outras fontes de proteínas de grande valor, que podem e devem ser devidamente aproveitadas para o consumo interno e para a exportação, tais como: caranguejo, amêijoa e mexilhão.
O destino do pescado desembarcado, é diverso: enquanto que um é para consumo directo, outro vai para a salga e seca, bem como para a congelação e farinação (farinha de peixe).

Produção de sal - Devido a problemas técnicos nomeadamente avarias no sistema de bombagem de água, tem-se verificado que, em relação a anos anteriores, a produção do sal decresceu. No entanto, ainda existem algumas unidades de extracção e iodização de sal marinho.


AGRICULTURA
Dadas as suas condições climatéricas é possível o cultivo de plantas tropicais, mediterrâneas (videiras, oliveira, citrinos) e a cultura de produtos hortícolas, quer para satisfação das necessidades locais e industriais, como para exportação.

PECUÁRIA
Com os incentivos necessários é possível a criação de aves, de suínos e bovinos. Com isto será possível a implantação de indústrias de lacticínios, de cortumes, de calçado, de abate e tratamentos dos derivados de carne.

TURISMO
Welvitchia Mirabilis
Os recursos turísticos da província estão constituídos por uma diversidade de produtos naturais, tais como:
- Praias;
- Estações termais ;
- Lagoas vulcânicas, fluviais ;
- Quedas do Monte-Negro;
- Plantas raras (Welvitchia Mirabilis) ;
- Dunas;
- Parque Nacional do Yona que abrange uma área de 15.150 Km2 e cujas espécies predominantes são a Zebra da Montanha, Guelengue, Leão e Zebra comum.
As autoridades governamentais apadrinharam nas actividades que foram desenvolvidas para a divulgação turística, nomeadamente no convite que estabeleceu com várias individualidades nacionais e estrangeiras, com o propósito de visitarem a província e poderem in loco testemunharem as suas capacidades turísticas.

___________________
(*) Sebastião Coelho explicava assim numa das suas crónicas (http://www.ebonet.net/sebastiaocoelho) :
«(...)Também influem outros factores circunstanciais, como a existência moderadora da Corrente Fria de Benguela. (...) (...)
Em Angola existem apenas duas estações, a época das chuvas, que se estende de 15 de Agosto a 15 de Maio e o tempo do cacimbo ou do frio ou da seca, que vai de 15 de Maio a 15 de Agosto. A sul de Benguela, na zona litorânea, um sub-deserto transforma-se, aos poucos, no deserto do Namibe.
A sul do Tômbua acentuam-se as condições desérticas e ao cruzar-se a fronteira sobre o rio Cunene, entra-se em território da República da Namíbia, onde começa o deserto do Kalahari ou da Namíbia.
Como enunciei no começo, a corrente fria de Benguela constitue um dos mais importantes factores de moderação climática do país. Como funciona este assunto ? De maneira bem simples.
Um dos braços da corrente quente do Brasil, que aparece sobre o Equador, avança para o Atlântico Sul e acompanha as costas do Brasil e Argentina.
Nos mares da Antártida choca contra as geleiras da região, apodera-se de icebergues e mistura-se com outras correntes de água fria.
Começa então a desviar-se para nordeste, em direcção à costa ocidental de África e passa a denominar-se corrente fria de Benguela. Arrastando grandes blocos de gelo, avança com eles em direcção à costa de Angola.
Cada icebergue é um zoológico ambulante onde navegam grupos de focas e pinguins, muitos dos quais terminam a sua viagem nas praias da Baía dos Tigres, Tômbua e Namibe.


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